Harry Potter e um passado que nunca existiu

Imagine ter o desafio de materializar lugares e espaços que foram sonhados

por milhares de pessoas de gostos, idades e valores culturais diferentes?


 

Entre o lançamento do primeiro livro da dramática história de Harry Potter até o lançamento do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal, se passaram quatro anos, e nesse período de tempo, cada leitor construiu o mundo mágico de Hogwarts, Hogsmead e do Beco diagonal a seu jeito.

Mas, para transformar a saga literária em uma produção audiovisual, foram necessários muito esforço e pesquisa para materializar os sonhos da autora e dos leitores, nem que, para isso, a gente precise de um pouco de mágica e computação gráfica.

Hogwarts - Escola de Magia e Bruxaria. (fonte no link da imagem)


Quando Harry sai do imóvel da Rua dos Alfeneiros, nº 4, e chega no vilarejo mágico, somos transportados junto com ele para uma atmosfera do passado. Hogsmeade, o Beco Diagonal e sobretudo Hogwarts pararam no tempo e trazem em suas edificações elementos de períodos que vão da Idade Média até o início da Idade Moderna.


Nem todos os locais foram construídos especificamente para os longas. As cenas em locais "não mágicos" eram gravadas em bairros e cidades do Reino Unido. Até mesmo algumas cenas do interior de Hogwarts foram gravadas em edificações existentes como o Alnwick Castle, a Bodleian Library, a Abadia de Lacock entre outros que você pode conhecer clicando aqui. Mas, grande parte dos edifícios da saga do bruxinho são representações arquitetônicas de um passado que nunca existiu de fato, pelo menos no mundo dos trouxas...

Hogwarts é uma mistura de vários elementos da arquitetura medieval, seja ela românica ou gótica, mas também apresenta elementos que não encontramos em nenhum desses estilos - ou em qualquer outro. O banco Gringotes, por sua vez é uma edificação que mistura elementos renascentistas e neoclássicos com uma aparência desconstrutivista em seu exterior.


O interior, no entanto, é neoclássico e ordenado em seu salão principal e trás elementos que lembram cavernas no caminho dos cofres.


O fato de misturar estilos de períodos diferentes em uma mesma edificação, ou de inventar ornamentos que jamais existiram não são de forma nenhuma um erro da direção de arte. Este "Ecletismo Digital" é um recurso cinematográfico muito recorrente em filmes de ficção que tem como objetivo criar uma experiência espacial única, mágica e inesquecível para os fãs. A gente amou o resultado, e você?